NA AQUICULTURA, O SEGREDO É QUERER MELHORAR.
A inovação é o resultado da relação entre a necessidade e o desejo de mudar algo, saber o que está acontecendo e aplicar a mudança, mas também entender o que está causando o problema, o que você quer melhorar e os meios. Na aquicultura, "há um mar de problemas que poderiam ser soluções".
Mais do que boas ideias, a inovação é a criação ou modificação de um produto e sua introdução em um mercado, de modo que ajude a criar valor agregado e, ao mesmo tempo, a resolver problemas, sempre visando ao aprimoramento. Seu ponto de partida é a descoberta e a compreensão de uma necessidade, e ela se consolida por meio de ações que possibilitam alcançá-la.
Na aquicultura, o Banco Mundial deixou claro que "a inovação é fundamental para melhorar a criação e a extração de espécies marinhas e terrestres, mas também para melhorar a qualidade de vida das comunidades de pesca e aquicultura. Seu potencial para melhorar a produtividade é especialmente relevante em um contexto no qual a segurança alimentar de milhões de pessoas pode estar em risco".
Há incalculáveis opções de inovação que as empresas desse setor podem usar para criar valor agregado e melhores resultados entre o custo de produção, a qualidade e a proporção do peixe, dependendo das necessidades particulares de cada uma delas. O site misPeces observou que essas opções podem ser alavancadas com tecnologias, no entanto, "os conceitos de ciência, tecnologia e inovação não devem ser confundidos". Tecnologia e inovação são aliadas, mas não sinônimas.
A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) enfatiza que "a expansão da aquicultura e o gerenciamento eficaz da pesca dependem da inovação nas cadeias de valor da pesca e da aquicultura". Então, o que é inovação? Inovação é a relação entre a necessidade e o desejo de mudar algo; saber o que está acontecendo e aplicar a mudança, entender o que está causando o problema e o que se deseja melhorar e os meios. O segredo é apostar na melhoria contínua.
A FAO conseguiu estabelecer que as inovações em aquicultura no mundo incluem, entre outras: "tecnologias que diversificam a economia e a produção de alimentos, melhoram a eficiência da produção em incubatórios ou fazendas de aquicultura e, ao mesmo tempo, atenuam o impacto ambiental; tecnologias que reduzem a incidência de doenças ou parasitas animais ou reduzem ou eliminam o uso de antibióticos no tratamento de animais; avanços na tecnologia de recirculação no mar ou em terra; novos ingredientes para ração; reduções na pegada de carbono por meio de maior eficiência energética ou regeneração de energia; e programas sociais destinados a melhorar as condições de vida e de trabalho nas fazendas ou nas fábricas de processamento. Ganhos significativos de eficiência também podem ser obtidos com a redução de resíduos e perdas durante as fases de produção e pós-colheita."
A especialista em aquicultura da Sightline Systems, a consultora sênior Laura Toro, aponta algumas dessas tecnologias modernas emergentes: IA, big data, IoT, sensores, visão artificial de máquina e robôs, que, embora estejam ocupando o centro das atenções, são apenas algumas das ferramentas por meio das quais o aquicultor pode atingir seu objetivo e resolver problemas.
Ela deu como exemplo que, atualmente, em todo o mundo, "cerca de 73% de empresas de tecnologia de aquicultura implantam pelo menos um tipo de sensor, incluindo metade que usa câmeras. Os algoritmos também estão melhorando exponencialmente". E quanto à IA, "cerca de um terço é usado para estimar a biomassa ou prever o crescimento (41%), otimizar a alimentação (34%) ou monitorar a saúde ou prever surtos de doenças (26%), entre outros. Muitos desses dados são coletados com câmeras subaquáticas e analisados usando algoritmos de reconhecimento de imagem".
O QUE AS MAIORES EMPRESAS DO MUNDO ESTÃO FAZENDO?
Empresas como a AquaChile, produtora de salmão nascida no sul do Chile e uma das maiores empresas do setor em todo o mundo, acredita na "necessidade de inovar e melhorar constantemente, buscando tornar mais eficientes os diferentes processos e etapas da aquicultura moderna". Nessa organização, a inovação permitiu que eles fizessem melhorias contínuas em todo o processo: desde a genética, passando pela produção em água doce, centros de cultivo, produção de ração, processamento industrial e marketing.
A FAO também documenta diferentes inovações que estão ocorrendo no setor em todo o mundo. Por exemplo, entre os casos citados, ela detalha que a vacinação pode produzir benefícios econômicos significativos. Isso "foi reconhecido como uma maneira essencial de reduzir o uso de antibióticos no setor de aquicultura no Reino Unido e na Noruega. Por exemplo, uma análise econômica da vacina contra Streptococcus agalactiae em fazendas de tilápia no Brasil mostrou que a sobrevivência dos peixes vacinados poderia aumentar em mais de 60-80% e eles poderiam ter uma taxa de conversão alimentar de +5-10%, resultando em economias significativas, bem como vendas e lucros significativos."
É ASSIM QUE A COLÔMBIA ESTÁ SE DESTACANDO
Em geral, vários países com tradição em aquicultura elaboraram sua própria estratégia de desenvolvimento nacional, na qual diferentes atores convergem para o desenvolvimento sustentável da aquicultura. Um bom exemplo é a China, o maior produtor de aquicultura do mundo, bem como os países africanos, entre outros. Esses países, "com base no desenvolvimento tecnológico e em uma grande capacidade de pesquisa e desenvolvimento, fizeram inovações tecnológicas na aquicultura para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável", diz a FAO.
A Colômbia também está apostando na inovação. O especialista em aquicultura e ex-diretor da Federação Colombiana de Aquicultura (FEDEACUA), César Pinzón, apontou alguns exemplos que merecem ser reconhecidos, dependendo da frente em que se encontra: genética, nutrição, produção e novas espécies.
Em genética, "estamos trabalhando na resistência das espécies nativas e trazendo todo o crescimento em termos de biomassa das espécies geneticamente 'modificadas'". Eles também estão trabalhando na "resistência a doenças, não apenas na Colômbia, mas em todos os países da América Latina", portanto, o especialista acredita que "poderíamos trabalhar um pouco mais juntos para obter respostas mais rápidas e não duplicar o trabalho".
Da mesma forma, na nutrição, é fundamental melhorar o uso das proteínas ingeridas pelo animal. E, embora nesse ponto ainda tenhamos "um longo caminho a percorrer", estão sendo feitos esforços para melhorar a digestibilidade de todos os produtos. O desafio é usar proteína bruta local porque aproximadamente 85% a 90% da ração bruta usada para fazer concentrados de peixe na Colômbia é importada.
Enquanto isso, na produção, foi possível avançar no uso da tecnologia, onde mais pode ser produzido em menos espaço e com menos esforço. "A Colômbia realmente tem um grande potencial e está tirando proveito dele com o uso de técnicas chamadas IPRS, um sistema de alta densidade que produz resultados econômicos e técnicos. Nesse aspecto, estamos mais avançados do que outros países da América Latina."
Por fim, ele contextualizou que a descoberta de novas espécies é outra frente que merece atenção, pois na Colômbia há apenas quatro espécies que podem ser cultivadas, no entanto, no Chile o número sobe para 13, enquanto no Brasil é muito maior. "Há um mar de problemas, que poderiam ser soluções, há muito trabalho a ser feito", concluiu.
AQUA Sightline é um aplicativo móvel avançado que funciona mesmo sem uma conexão constante com a Internet, é fácil de usar e já está disponível nas lojas para dispositivos Android e iOS.
Por Caterin Julieth Manchola Pajoy, jornalista. Colômbia. Foto: Governo de Huila, Colômbia.
Brandon Witte é o CEO da Sightline Systems, líder global em software de análise e monitoramento de desempenho em tempo real. Com quase duas décadas no comando da Sightline, Brandon impulsionou a inovação em todos os setores, expandindo recentemente para a aquicultura com o lançamento do AQUA Sightline.
Executivo experiente, com bacharelado em Ciências Gerenciais pela Pamplin College of Business da Virginia Tech, a carreira de Brandon abrange conhecimentos em software empresarial, estratégia de TI e serviços profissionais.
Sob a liderança de Brandon, a Sightline estabeleceu uma reputação de fornecer percepções acionáveis por meio de análises avançadas, capacitando as empresas a otimizar as operações para obter maiores margens de lucro e operações diárias mais bem-sucedidas.